Egressos do CBVZO apostam em gerir o próprio negócio

por Bruna Dionísio Castelo Branco publicado 28/05/2019 15h29, última modificação 28/05/2019 15h29
Com prestação de serviços ou venda de produtos, ex-alunos do curso Técnico de Comércio integrado ao ensino médio inovam e decidem apostar no empreendedorismo

 

Empreender requer atitude. E se engana quem pensa que esse é um caminho para quem tem experiência no mundo de trabalho, pois o Instituto Federal de Roraima (IFRR) vem mudando a percepção dos jovens estudantes do curso Técnico de Comércio integrado ao ensino médio do Campus Boa Vista Zona Oeste (CBVZO). Recém-formados, eles apostam em ideias que geram negócios.

É o caso da jovem Kézia Keulen, de 18 anos, formada em 2018. Ela conta que a escolha do curso Técnico em Comércio foi planejada.  “Empreendedorismo é uma área que sempre me chamou a atenção. Por eu ser uma pessoa que busca a independência financeira, escolhi estrategicamente o curso, afinal já tinha em mente que, ao concluir, iria empreender de alguma forma”, revelou.

Kézia tem 18 anos  e  dez da paixão por fotografia uma forma de ganhar dinheiro
Kézia tem 18 anos e fez da paixão por fotografia uma forma de ganhar dinheiro

Kézia, que desde criança é apaixonada por fotografia, hoje trabalha na área. Sozinha, ela aprendeu a manusear uma câmera. Sem dinheiro para poder pagar um curso, pesquisou na internet, por meio de vídeos, maneiras de aperfeiçoar suas fotografias. “Este ano adquiri minha câmera e já comecei com alguns ensaios simples. Em seguida, conheci o fotógrafo Silvio Cunha, que, depois de ter visto algumas das minhas fotos em uma rede social, me chamou para trabalhar com ele e compartilhou comigo todo o seu conhecimento relacionado a fotos e ao mercado fotográfico”, relatou.

Morando com a mãe e os avós, Kézia aguarda o início das aulas do segundo semestre do ano, pois também foi aprovada no vestibular da Universidade Federal de Roraima (UFRR) para o curso de Licenciatura em Física. Por enquanto, o dinheiro dos ensaios custeia suas despesas pessoais. Ela planeja continuar a carreira de fotógrafa, mas prioriza o ensino superior. “Quero aperfeiçoar os conhecimentos que tenho, sim, e penso em fazer um tecnólogo na área assim que terminar minha licenciatura”, disse.

"Por eu ser uma pessoa que busca a independência financeira, escolhi estrategicamente o curso de Técnico em Comércio".
Com o trabalho como fotógrafa, Kézia custeia despesas pessoais

Para Kézia, o curso Técnico em Comércio lhe ofereceu uma ampla visão do mercado e estratégias para montar um negócio. O conselho deixado por ela para quem quer empreender é buscar conhecimento. “Se sua ideia é boa e você tem uma base de informações relacionadas ao empreendedorismo, as chances de seu negócio dar certo são muito maiores”, afirmou animada.

O casal Thaís Ramos e Gustavo Magalhães, ambos com 19 anos, também apostou na montagem do próprio negócio. Egressos do curso Técnico em Comércio, os jovens, hoje universitários, dividem as tarefas em uma empresa de gênero alimentício. A Panquecas Delivery funciona de terça a domingo, das 10h às 17h, e o atendimento é feito por meio das redes sociais (Instagram e WhatsApp).

Gustavo cursa Fisioterapia e Thaís é acadêmica de Psicologia. Eles estudam em uma faculdade particular na Capital. Thaís conta que também aprendeu a cozinhar pesquisando vídeos disponíveis na internet. Trocou experiências com quem já entendia do assunto e começou a vender os quitutes. No momento, ela e o namorado dividem, além dos lucros, as tarefas. Ela é responsável pela elaboração dos pratos, e ele realiza as entregas.

 

Gustavo e Thaís abriram o Panquecas Delivery e dividem as tarefas do negócio
Gustavo e Thaís abriram o Panquecas Delivery e dividem as tarefas do negócio

O negócio tem dado certo, e o dinheiro tem sido muito bem-vindo. O ganho produzido ajuda os jovens a custear despesas básicas como combustível para se locomoverem até a faculdade e compra de livros e apostilas cobrados nas aulas. “Não me via sendo empreendedora do ramo alimentício e nem algo parecido, mas hoje estou colocando em prática o que aprendi no ensino médio como técnica em comércio”, expôs Thaís.

Para ela, estudar no IFRR foi muito importante. “Foi no curso Técnico em Comércio que vi que as minhas ideias poderiam ser colocadas em prática com o conhecimento, os ideais, as táticas e as estratégias certas”, revelou. Para a jovem empreendedora, o segredo é não desistir. “Meu conselho para quem deseja empreender é para que sempre continue persistindo e acreditando, porque o início nunca será fácil, mas, com as qualificações e as ferramentas certas, o caminho será somente destinado ao sucesso”, afirmou.

Outra ex-aluna do CBVZO que tem dado os primeiros passos no empreendedorismo é Amanda Batista, de 18 anos. Ela, que é artesã, confecciona brincos, pulseiras, colares, gargantilhas e outros produtos artesanais. Amanda mora com os pais e os irmãos e, enquanto estuda para o vestibular, também procura aprender novas técnicas de fabricação de acessórios. A arte produzida pela jovem é comercializada pela rede social Instagram.

Amanda Batista confecciona acessórios como brincos, colares e pulseiras
Amanda Batista confecciona acessórios como brincos, colares e pulseiras

Ela conta que ainda não sabe se esse é o caminho profissional que pretende seguir. “Sempre tive um sentimento de inferioridade em relação aos meus colegas, porque, enquanto muitos tinham aptidão para ciências exatas, ou estudavam para prestar o vestibular de Medicina ou Direito, eu simplesmente era a garota dos artesanatos”, desabafou.

Para Amanda, os anos de estudo no IFRR a ensinaram a lidar com esse sentimento. “Com a orientação dos professores, fui percebendo que existe espaço para todos os profissionais, desde que exista dedicação e competência. Eu penso que é importante acreditar em si, no produto ou no serviço, buscar qualificação e nunca desistir por causa de críticas, e, se for um empreendimento social, se esforçar e se dedicar em dobro”, aconselhou.

Produtos confeccionados por Amanda são comercializados por redes sociais
Produtos confeccionados por Amanda são comercializados por redes sociais

Segundo o professor Wilson Alves, coordenador de Empreendedorismo do IFRR, a matriz curricular do curso Técnico em Comércio é composta por vários componentes que propiciam a formação de profissionais com conhecimento nas mais diversas áreas do comércio. “O componente curricular Empreendedorismo contribui para a formação, assim como as demais ações voltadas para a educação empreendedora, como cursos livres, oficinas, palestras, Semana do Empreendedorismo e Inovação. E essas ações visam alcançar tais resultados apresentados”, declarou.

Para Alves, os componentes estimulam e oferecem aos estudantes a oportunidade de conhecer ferramentas para empreender e, consequentemente, beneficiar pessoas, como os próprios egressos, que passam a ter uma renda própria, sendo protagonistas de sua vida profissional. “Alcança também possíveis colaboradores que serão absorvidos pelo negócio, ou seja, o mercado local acaba ganhando muito com tais ações empreendedoras”, assegurou.

Conforme o professor, mais importante que aprender a criar um novo negócio é levar para a vida as características do comportamento empreendedor, como eficiência, estabelecimento de metas, persistência, comprometimento, busca de informações, planejamento e monitoramento sistemático, busca de oportunidade e iniciativa.

Para saber mais sobre os produtos e serviços oferecidos pelos jovens, é só acessar seus perfis no Instagram.

www.instagram.com/keziakeulen

www.instagram.com/panquecas_deliveryrr

www.instagram.com/monte_arterr

 

Bruna Castelo Branco
Ascom/Reitoria
Fotos: Nenzinho Soares e Kézia Keulen
28/5/19
 
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