Professor do IFRR/CAM defende tese na USP sobre demandas de estudantes indígenas macuxi

por Rebeca publicado 26/10/2020 08h53, última modificação 26/10/2020 08h53
Marcos Antônio fará a defesa da sua tese dia 29 de outubro, às 13 horas (horário local), pelo Meet

O professor de História do Campus Amajari do Instituto Federal de Roraima (CAM/IFRR) Marcos Antônio de Oliveira fará, no dia 29 de outubro, às 13 horas (horário local), a apresentação da sua tese. A defesa do trabalho, na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, intitulado “Indígenas e o ensino médio em Roraima: demandas macuxi”, ocorre pelo Google Meet. O Campus Amajari é um dos cinco campi do IFRR e o que tem mais alunos autodeclarados indígenas matriculados: 57%.

Há pouco mais de quatro anos, Marcos Antônio era selecionado com nota 10 para o doutorado na USP, com área de concentração em Sociologia da Educação. Teve afastamento remunerado e bolsa prodoutoral fornecida pela Pró-Reitoria de Ensino (Proen). “Graças aos investimentos em formação dos servidores pelo IFRR foi possível eu ter cursado o doutorado na USP, uma das maiores universidades públicas brasileiras. A bolsa da Proen permitiu que eu pudesse aproveitar o curso com mais dedicação e qualidade”, disse.

Dois objetivos centrais da tese nortearam a pesquisa: entender as motivações que atraem estudantes macuxi ao Campus Amajari para cursarem o ensino médio técnico profissionalizante em Agropecuária e Aquicultura em regime integrado e de alternância; e descobrir o que buscam na instituição. Os estudantes participantes da pesquisa eram de comunidades distantes, localizadas, em média, a 150 km da sede do CAM. Enfrentaram uma série de dificuldades para seguir e concluir o curso, mesmo dispondo de escolas de ensino médio indígenas em suas comunidades.

De acordo com o doutorando, a pesquisa identificou as expectativas dos estudantes sobre sua permanência na instituição, bem como suas impressões sobre suas comunidades e sobre as opções de escolarização disponíveis. Além de entrevistar 33 estudantes, tanto do CAM quanto de escolas indígenas, o pesquisador conversou com gestores, docentes e líderes indígenas da região. “Optamos pela observação do participante e por entrevistas detalhadas com 22 estudantes da unidade de ensino e 11 de escolas indígenas das comunidades Três Corações, Guariba e Barro”, explicou.

A pesquisa confirmou as duas hipóteses levantadas pelo pesquisador. A primeira investigou se os motivos que levavam esses estudantes respondiam ao desejo de familiares, amigos e líderes para que retornassem às suas comunidades para auxiliar em futuros projetos agropecuários ou de piscicultura, sendo que os estudantes também tinham outros objetivos decorrentes de sua experiência no CAM, que poderiam não coincidir com o desejo de seus responsáveis.

“A hipótese referente aos motivos que atraem os jovens macuxi ao Campus Amajari se mostrou verdadeira, pois foi constatado que estão inicialmente condicionados às decisões de seus responsáveis e, da mesma forma, evidenciou-se que, no decorrer da formação e do convívio no ambiente escolar, a maioria é impulsionada a prosseguir em seus estudos”, comentou o pesquisador.

Já a segunda hipótese levantada e confirmada foi se o que buscam na instituição estaria relacionado majoritariamente à perspectiva de ingressarem nas universidades públicas e privadas do estado, por considerarem a escolarização do IFRR mais apropriada para esse objetivo em oposição às dificuldades que as escolas indígenas apresentam. “Ficou explicitado que o ensino superior é um projeto futuro desses estudantes”, frisou Marcos Antônio.

Para o professor, o desenvolvimento do trabalho foi um período de muito aprendizado e crescimento profissional. “Durante a pesquisa, pude manter contato com lideranças e aprofundar o conhecimento a respeito dos alunos e alunas indígenas   e conhecer mais intensamente suas realidades. Assim, minha prática pedagógica será melhorada e se tornará mais sensível à difícil realidade das escolas indígenas em nossa região”, finalizou.

 


Ascom/Reitoria
Rebeca Lopes
Foto: CCS/IFRR-CAM
26/10/2020
 

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