Gincana do Campus Bonfim arrecada mais de 4 toneladas de resíduos eletroeletrônicos

Publicado em 23 de Abril de 2026 às 13:49
Autoria
Rebeca Silva - JORNALISTA

A equipe campeã da gincana “Desafio REEE: Criar, Conscientizar e Transformar” foi a “EletroRRecicladores”

Equipe “EletroRRecicladores” - campeã da gincana do CAB - Divulgação
Equipe “EletroRRecicladores” - campeã da gincana do CAB - Divulgação

Uma ação que uniu educação, sustentabilidade e protagonismo juvenil resultou na arrecadação de 4.149 quilos de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos (REEE) no Campus Bonfim do Instituto Federal de Roraima (IFRR), no Município de Bonfim. A iniciativa integrou a gincana “Desafio REEE: Criar, Conscientizar e Transformar”, realizada entre março e abril, numa parceria entre o IFRR e o Instituto de Incubação e Aceleração (IA).

O volume expressivo de material recolhido ao longo de 30 dias foi encaminhado ao Centro de Recondicionamento de Computadores do IA. Lá, ele passará por tratamento adequado, contribuindo para a redução de impactos ambientais causados pelo descarte irregular. O encerramento da atividade foi conduzido pela Coordenação de Gestão e Inovação para a Sustentabilidade do IFRR.

Quatro equipes iniciaram a competição, mas apenas três permaneceram até o fim. Consagrou-se campeã a “EletroRRecicladores” (@eletrorrecicladores), com 2.205 quilos de resíduos arrecadados, garantindo troféu, certificado e participação na oficina Manutenção de Aparelhos Celulares no Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC), em Boa Vista. A vitória garantiu ao CAB uma mesa de tênis de mesa.

A segunda colocada foi a “Eletro cab” (@eletro.cab), que arrecadou 1.644 quilos de resíduos. Entre os eletrodomésticos e eletrônicos arrecadados estavam 33 televisores e um televisor antigo pesando 38 quilos, além de 8 geladeiras e 5 máquinas de lavar. A terceira colocada foi a “Cab eletron”(@cab.eletron), com 300 quilos arrecadados. '

Segunda colocada na gincana do CAB de REEE - Ft Divulgação (3)

Durante a gincana, os estudantes se envolveram em atividades práticas e educativas voltadas à coleta de resíduos eletrônicos, produção de conteúdos digitais e criação de peças artísticas sustentáveis (esculturas). A competição foi estruturada em três eixos: coleta de materiais, engajamento digital e produção de esculturas com resíduos, incentivando não apenas a conscientização ambiental, mas também o desenvolvimento de habilidades criativas e comunicativas. '

Para o estudante Lucas Silva de Oliveira, 16 anos, da equipe campeã, a experiência foi transformadora. “A gincana foi importante para nos conscientizar sobre o descarte correto dos resíduos eletrônicos e também para o nosso aprendizado. Desenvolvemos habilidades como produção de conteúdo para redes sociais e comunicação. Além disso, levamos essa conscientização para a comunidade, explicando, de casa em casa, a importância de não descartar esses materiais no meio ambiente”, disse.

A mobilização foi além dos muros do CAB e alcançou diferentes espaços no município. A estudante Júlia Bianca Pereira Veras, 15 anos, da equipe “Eletro cab”, a vice-campeã, relatou o engajamento da equipe nas ações externas. “A gente visitou escolas, conversou com outras turmas e deixou pontos de coleta. Também fomos até a Vila São Francisco buscar eletrodomésticos. Foi uma experiência que uniu a equipe e reforçou a importância da preservação ambiental, principalmente para quem estuda agropecuária”, afirmou. '

Gincana CAB - Divulgação

Segundo a coordenadora de Sustentabilidade do IFRR, Edileia Sousa, a gincana superou as expectativas. “Nossa intenção foi despertar a consciência ambiental em cada integrante das equipes. Eles entenderam isso, levando a ação para fora da escola e envolvendo a comunidade. Foi um sucesso absoluto, tanto pela quantidade arrecadada quanto pelo engajamento dos estudantes. No nosso plano de trabalho em parceria com o IA, foi proposta a arrecadação de 2 toneladas em dois anos em todas as unidades. Somente o CAB, em um mês, dobrou a meta”, comemorou.

O material arrecadado já foi destinado ao CRC em Boa Vista, cuja equipe já iniciou os trabalhos de recondicionamento dos computadores para serem, posteriormente, doados às comunidades indígenas.

Segundo Edileia, o próximo campus do IFRR a executar a gincana será o Campus Boa Vista, a maior unidade da instituição. Isso ocorrerá no mês de maio, finalizando em junho, na Semana do Meio Ambiente.

Escultura “Anjo do Último Sinal” garante vitória da equipe na gincana do IFRR/CAB

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Primeiro lugar - Ft Ascom Reitoria IFRR (28)

A vitória da equipe “EletroRRecicladores” (@eletrorrecicladores) foi garantida pelo desempenho no terceiro eixo da gincana “Desafio REEE: Criar, Conscientizar e Transformar”, voltado à produção de esculturas com resíduos. Estruturada em três frentes — coleta de materiais, engajamento digital e criação artística com reaproveitamento —, a competição, realizada pelo Instituto Federal de Roraima em parceria com o Instituto de Incubação e Aceleração (IA), foi marcada por uma disputa acirrada entre as equipes ao longo de toda a programação do evento.

Chamada de “Anjo do Último Sinal”, a escultura vencedora foi desenvolvida a partir de resíduos eletroeletrônicos, destacando-se como símbolo de alerta ambiental. A obra representa uma entidade construída com materiais descartados pela sociedade, ressignificando a imagem angelical para provocar reflexão sobre o consumo excessivo e seus impactos no planeta. Elementos como roteadores, placas eletrônicas e fios dão forma à peça, evidenciando a contradição entre a hiperconectividade atual e a negligência com a sustentabilidade.

Com forte carga simbólica, a escultura aborda o ciclo acelerado de obsolescência tecnológica e o acúmulo de lixo eletrônico, que não desaparece e continua a causar danos ambientais, como a contaminação do solo e da água. A composição estética, propositalmente bruta, reforça a origem dos materiais e denuncia a realidade do descarte inadequado, ao mesmo tempo em que questiona padrões de consumo e a busca constante por inovação sem responsabilidade ambiental.

Inspirada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), a obra propõe um alerta à sociedade: a tecnologia avança, mas os resíduos permanecem. Mais do que uma representação artística, o “Anjo do Último Sinal” convida à reflexão sobre até quando os impactos ambientais serão ignorados, reforçando a urgência de mudanças de comportamento em relação ao consumo e ao descarte de equipamentos eletrônicos.

Em segundo lugar ficou a escultura “Conectados e Acumulados”, que reflete a evolução da tecnologia ao longo do tempo, mostrando como os dispositivos, antes simples e limitados, se tornaram essenciais no cotidiano. Elementos como celulares antigos, televisores e fios representam essa transformação, evidenciando tanto os avanços quanto a crescente dependência tecnológica, simbolizada também pelo papel indispensável da internet e do wi-fi na vida moderna. '

Segundo e terceiro lugares

Ao mesmo tempo, a obra chama atenção para o acúmulo de lixo eletrônico gerado por esse avanço acelerado. Os fios e cabos, além de simbolizarem conexão, representam o excesso e a desordem causados pelo consumo desenfreado. Assim, a escultura funciona como um alerta sobre os impactos ambientais do descarte inadequado, destacando que, enquanto a tecnologia evolui, o lixo permanece, cabendo, pois, à sociedade refletir e agir de forma mais consciente. '

Em terceiro lugar ficou a escultura “Conexão Sustentável”, obra tridimensional produzida a partir de resíduos eletroeletrônicos, com destaque para fios de carregadores descartados. Seu elemento central é um coração formado por cabos reaproveitados, fixado em uma base de papelão reutilizado, simbolizando o cuidado e a responsabilidade com o meio ambiente ao transformar o que seria lixo em arte.

Buscando promover a conscientização ambiental, a obra propõe uma reflexão sobre o descarte correto de resíduos e o uso consciente da tecnologia, evidenciando que pequenas ações podem gerar impactos positivos. Além disso, dialoga com os princípios da sustentabilidade e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), ao incentivar a reutilização de materiais e a preservação ambiental, transmitindo a ideia de que criatividade e consciência podem contribuir para um futuro mais sustentável.

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Ascom/Reitoria

Rebeca Lopes

Fotos: Divulgação