Com o objetivo de fortalecer a formação inicial de futuros professores diante dos desafios da cultura digital, licenciandos do curso Licenciatura em Ciências Biológicas do Campus Boa Vista do Instituto Federal de Roraima (CBV/IFRR) participaram, nos dias 17 e 24 de março, do minicurso Educação Midiática na Formação Inicial: Caminhos para Ensinar Ciências na Cultura Digital. A formação foi realizada em dois encontros presenciais, com atividades práticas e reflexivas voltadas ao desenvolvimento do pensamento crítico, da análise de conteúdos midiáticos e da produção de estratégias pedagógicas aplicáveis ao ensino de ciências.
A proposta do minicurso, que contou com o apoio do instituto Conecta Gente, surgiu da necessidade de se ampliarem, no processo formativo docente, as discussões sobre o uso ético, crítico e pedagógico das mídias digitais, especialmente em um contexto marcado pela circulação acelerada de informações, pela desinformação científica e pelo impacto das redes sociais na vida dos estudantes e no cotidiano escolar.
Ao longo das dez horas de formação, os participantes discutiram conceitos fundamentais da educação midiática, temas como fake news, bolhas informacionais, segurança digital, discursos de ódio e cidadania digital, além de desenvolverem atividades práticas relacionadas à análise crítica da mídia e à produção de materiais educativos voltados ao ensino de ciências.
Formação docente para a cultura digital – Segundo a facilitadora do minicurso, a jornalista e professora Virginia Albuquerque, a educação midiática precisa ocupar um espaço cada vez mais central na formação inicial de professores por contribuir para a preparação de profissionais mais críticos, conscientes e aptos a lidar com os desafios da contemporaneidade. “Discutir educação midiática na formação inicial é essencial porque os futuros professores já ingressam na escola em uma realidade profundamente marcada pelas tecnologias digitais, pelas redes sociais e pela circulação intensa de informações. Não se trata apenas de ensinar a usar ferramentas, mas de formar docentes capazes de compreender criticamente as mídias, avaliar a confiabilidade das informações e desenvolver práticas pedagógicas que promovam cidadania, ética e pensamento crítico”, declarou.
A facilitadora também explicou que a escola tem papel fundamental na formação de sujeitos capazes de atuar de forma responsável no ambiente digital. “Quando trabalhamos essa temática com licenciandos, estamos contribuindo para que se reconheçam como mediadores do processo formativo. É uma discussão que fortalece a autonomia docente e amplia as possibilidades de um ensino mais contextualizado, significativo e conectado às demandas da sociedade atual”, afirmou.
Educação midiática e o ensino de ciências – A professora do curso Licenciatura em Ciências Biológicas Cristiane de Oliveira, também responsável pela formação, enfatizou a importância de se aproximar a educação midiática do ensino de ciências, especialmente diante da grande circulação de conteúdos duvidosos ou falsos relacionados à saúde, ao meio ambiente, às mudanças climáticas e a outros temas científicos. “Integrar a educação midiática ao ensino de ciências é uma necessidade urgente. Hoje muitos estudantes constroem suas percepções sobre ciência a partir do que consomem nas redes sociais, em vídeos curtos, postagens e conteúdos digitais. Por isso, o professor precisa estar preparado para transformar essas linguagens e esses materiais em oportunidades de aprendizagem crítica”, explicou.
Segundo ela, o minicurso buscou justamente aproximar os conteúdos científicos do cotidiano dos estudantes e das experiências midiáticas que fazem parte da vida social contemporânea. “Ao propor atividades que envolvem análise de notícias, fake news, campanhas digitais, vídeos e produção de materiais educativos, mostramos que é possível ensinar ciências de forma mais investigativa, participativa e conectada com a realidade dos alunos. Isso fortalece tanto a aprendizagem científica quanto a formação cidadã”, pontuou.
Vivência prática e protagonismo dos licenciandos – Durante a formação, os licenciandos participaram de dinâmicas, debates, oficinas e produções colaborativas. Entre as atividades desenvolvidas estavam a análise crítica de conteúdos midiáticos relacionados às ciências biológicas, a elaboração de um plano de intervenção pedagógica e a criação de protótipos de materiais educativos para o enfrentamento da desinformação científica.
Para a aluna Anaika Carolina Maitan Guilarte, a experiência proporcionou novas formas de pensar o papel do professor no cenário atual. “O minicurso foi relevante porque nos fez perceber a importância de aprender e ensinar a educação digital nas escolas, expandindo, assim, o conhecimento das mídias e estimulando o bom uso delas por esta e pelas próximas gerações”, relatou.
Já a estudante Ayrlanne Vitória Nascimento Morais destacou a relevância das atividades práticas e a conexão entre teoria e futura atuação docente. “É de suma importância que os alunos das licenciaturas tenham acesso ao conhecimento sobre a educação midiática, porque ela está presente tanto nos ambientes comunicacionais como nos educacionais. Os tópicos abordados são atuais, prendem a atenção e tornam as aulas mais práticas e participativas. Essa experiencia nos impulsiona a ter pensamentos mais críticos e nos fazem perceber a importância da educação midiática”, avaliou.

Contribuição para a formação acadêmica e pedagógica – A realização do minicurso também reforça a importância de ações formativas que dialoguem com as transformações da educação contemporânea e com a necessidade de se prepararem futuros professores para atuarem de maneira crítica, ética e inovadora nos contextos de ensino e aprendizagem.
Ao final da formação, os participantes produziram propostas pedagógicas, análises críticas de conteúdos midiáticos, materiais autorais e reflexões sobre o papel docente na cultura digital, fortalecendo a integração entre formação acadêmica, prática pedagógica e compromisso social da educação.
A solenidade de certificação será realizada na próxima terça-feira, 31, às 18h30, no CBV, com um coquetel de confraternização para as formadoras, cursistas e representantes da organização apoiadora.
Ascom/Reitoria
27/3/26