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Mais da metade dos formandos do Campus Amajari do IFRR conquistaram vagas no ensino superior

Publicado em 18 de Março de 2026 às 11:04
Autoria
Rebeca Silva - JORNALISTA

Dos 57 formandos de 2025, ao menos 30 acumulam aprovações em instituições públicas e privadas; confira a série de matérias

Formandos do Campus Amajari 2025 - Ft Ascom IFRR (2)
Formandos do Campus Amajari 2025 - Ft Ascom IFRR (2)

No extremo norte do Brasil, com desafios históricos de acesso à educação, o Campus Amajari do Instituto Federal de Roraima (CAM/IFRR) celebra um marco que simboliza o poder transformador da escola pública. Mais de 50% dos 57 formandos de 2025 conquistaram vagas no ensino superior, com pelo menos 30 estudantes aprovados em vestibulares e seletivos de universidades públicas e privadas, muitos deles em mais de um curso. As histórias desses jovens revelam trajetórias de superação marcadas por medo, insegurança e coragem de deixar a família para estudar, apostando na educação como caminho para mudar de vida.

Entre os aprovados está Rennery Guilherme Pinho Rodrigues, de 18 anos, morador do Contão, comunidade localizada dentro da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, no Município de Pacaraima, no limite com os Municípios de Normandia e Uiramutã. No fim de 2025, ele se tornou técnico em agropecuária e, desde então, acumula conquistas em diferentes instituições. Foi aprovado para cursar Gestão em Saúde Coletiva na Universidade Federal de Roraima (UFRR), conquistou vaga em Medicina Veterinária na Universidade da Amazônia (Unama), por meio da nota do Enem, e atualmente cursa Engenharia Agronômica no Campus Novo Paraíso do Instituto Federal de Roraima.

Outra história de destaque é a de Maria Clara Viana de Alencar, de 17 anos, moradora da região do Tepequém, Município de Amajari. Ela concluiu, em 2025, o curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio e comemorou a aprovação ao ingressar em quatro cursos de ensino superior e técnico. Foi aprovada para cursar Medicina Veterinária na Universidade Federal de Roraima (UFRR), Agronomia no Campus Novo Paraíso do IFRR, Técnico em Enfermagem no Campus Boa Vista do IFRR e Zootecnia na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais. Optou em estudar na federal de Roraima.

A diversidade de trajetórias também aparece na história de Yorgelis Flores, de 19 anos, indígena taurepang venezuelana que vive no Brasil há sete anos. Moradora da Comunidade Indígena Tarau Paru, no Município de Pacaraima, ela enfrentava viagens de duas a três horas de carro — ou até de cinco horas de ônibus — para chegar ao campus. Formada em 2025 no curso Técnico em Aquicultura Integrado ao Ensino Médio, Yorgelis foi aprovada para cursar Relações Internacionais na Universidade Federal de Roraima. Antes de chegar ao Brasil, vivia em Santa Elena de Uairén, na Venezuela, na Comunidade Indígena Sampay.

Mesmo com histórias diferentes, os estudantes compartilham um ponto em comum: a importância da política de permanência estudantil. Muitos precisaram lidar com a saudade da família e a distância das comunidades de origem e destacam que auxílios como moradia e alimentação foram decisivos para que conseguissem permanecer no campus e concluir o ensino médio integrado ao ensino técnico. '

Formandos aprovados Rennery, Maria Clara e Yorgelis

Localizado em uma região marcada pela presença de comunidades tradicionais e com mais da metade de seus estudantes autodeclarados indígenas, o Campus Amajari desempenha um papel estratégico na democratização do acesso à educação. A presença de uma instituição federal de ensino no extremo norte do País representa mais do que a oferta de cursos: a oportunidade de emancipação social, inclusão e valorização das identidades culturais. Para muitos jovens da região, chegar ao ensino superior é a prova concreta de que a educação pública pode romper ciclos de desigualdade e abrir novos caminhos para as próximas gerações.

Para a reitora do IFRR, Nilra Jane Filgueira, o resultado alcançado pelo Campus Amajari demonstra a força da educação pública ofertada pela instituição. “Quando mais de 50% dos formandos conseguem ingressar no ensino superior, confirma-se que a escola pública de qualidade tem o poder de transformar trajetórias e ampliar horizontes para a juventude, inclusive para estudantes indígenas e jovens de diferentes origens”, disse.

Para a gestora, a conquista também evidencia o impacto da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica em todo o País ao levar oportunidades, conhecimento e esperança a milhares de jovens. Ela ressalta que histórias como a da estudante indígena e venezuelana aprovada para o curso de Relações Internacionais na Universidade Federal de Roraima demonstram, na prática, como a educação tem potencial real de transformar vidas em diferentes regiões do Brasil.

Indígena venezuelana formada no Campus Amajari é aprovada em Relações Internacionais na UFRR

Yorgelis Flores, da etnia Taurepang, venceu barreiras de idioma, distância da família e dificuldades financeiras para conquistar vaga no ensino superior - Ft Arquivo Pessoal

A trajetória de superação da estudante Yorgelis Flores, de 19 anos, formada no curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio do Campus Amajari, resultou em uma conquista que simboliza mais do que uma aprovação universitária. Indígena da etnia Taurepang e natural da Venezuela, ela foi aprovada para cursar Relações Internacionais na Universidade Federal de Roraima (UFRR), tornando-se a primeira pessoa de sua família a ingressar em uma universidade federal.

Emocionada com o resultado, Yorgelis afirma que o caminho até a aprovação foi marcado por desafios. Nascida na Comunidade Indígena Sampay, na região de Santa Elena, na Venezuela, ela chegou ao Brasil há cerca de sete anos com a família. Atualmente, mora na Comunidade Indígena Tarau Paru, próxima ao Município de Pacaraima, em Roraima, onde concluiu o ensino fundamental antes de ingressar no IFRR. Com a família composta pelo pai, pela mãe e por uma irmã, ela é a primeira da família a entrar em uma universidade federal.

Cursar o ensino médio integrado ao técnico em regime integral foi uma experiência intensa. Segundo a estudante, a rotina exigia dedicação durante todo o dia, com aulas teóricas, atividades práticas e muitos trabalhos. A distância da família foi um dos maiores desafios. Sem condições financeiras para viajar com frequência, ela, muitas vezes, só conseguia visitar os parentes quando havia transporte disponibilizado pelo instituto, o que a fez passar longos períodos longe de casa.

Dificuldades com o idioma também marcaram a trajetória. Ao chegar ao Brasil, Yorgelis precisou se adaptar à língua portuguesa e ao sistema educacional brasileiro. No campus, compreender as aulas e apresentar seminários em outra língua foi um grande obstáculo, superado com esforço pessoal e apoio de professores e colegas. Mesmo em momentos de desânimo, como a saudade da família e a fase de adaptação, ela lembra que o sonho de ingressar na universidade era o que a motivava a continuar.

Para se manter na escola em tempo integral, precisou do apoio da assistência estudantil oferecida pela instituição. Durante o curso, Yorgelis contou com alojamento e auxílios como alimentação e transporte, fundamentais para que pudesse permanecer no campus e seguir estudando longe da família. “Esse apoio foi muito importante, porque me ajudou a continuar estudando mesmo estando longe da minha família, já que eu não tinha condições financeiras para pagar moradia e alimentação”, relatou.

A escolha pelo curso de Relações Internacionais também tem um significado especial. A estudante revela que sempre teve interesse em aprender sobre diferentes países e culturas e que deseja trabalhar ajudando pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, especialmente em comunidades indígenas. “E uma das comunidades [que pretende ajudar] é onde estou morando”, comentou. A decisão, segundo ela, está diretamente ligada à própria história e às experiências vividas entre dois países e diferentes realidades sociais.

O momento da aprovação foi de grande emoção. Ao receber a notícia, Yorgelis celebrou com a família, que acompanhou de perto sua jornada e se orgulha da conquista. Apesar da vaga garantida na universidade, ela ainda enfrenta dificuldades financeiras para iniciar o curso. Trabalha para conseguir pagar alimentação e moradia enquanto busca meios de continuar os estudos.

Mesmo diante das dificuldades, a estudante mantém o sonho de concluir a graduação, conquistar um bom trabalho e ajudar sua família e outras comunidades. Aos estudantes que iniciam a formação técnica ela deixa uma mensagem simples e direta: não desistir. Para Yorgelis, acreditar nos próprios objetivos e aproveitar as oportunidades de estudo são passos essenciais para se transformar a própria realidade.

Entre saudade e superação: estudantes celebram aprovações no ensino superior

Foto: Arquivo Pessoal Rennery e Maria Clara
Histórias de superação marcam a trajetória de jovens que encontraram na educação e no apoio das famílias a força para alcançar o sonho do ensino superior.

A conquista de vagas em universidades públicas marcou o fim de um ciclo desafiador para estudantes formados no Campus Amajari do Instituto Federal de Roraima (CAM/IFRR). Entre rotina intensa de estudos, distância da família e dificuldades de adaptação ao ensino técnico integrado e integral, jovens que chegaram a pensar em desistir comemoram hoje aprovações em mais de uma instituição de ensino superior, transformando esforço e persistência em novas oportunidades de vida.

Um dos exemplos é o estudante Rennery Guilherme Pinho Rodrigues, de 18 anos, morador do Contão, comunidade localizada dentro da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, Município de Pacaraima, no limite com os Municípios de Normandia e Uiramutã. Formado no curso Técnico Agrícola Integrado ao Ensino Médio, ele conquistou aprovações em várias instituições: na Universidade Federal de Roraima (UFRR), para cursar Gestão e Saúde Coletiva; na Universidade da Amazônia (Unama) conquistou vaga com a nota do Enem para cursar Medicina Veterinária; e no Instituto Federal de Roraima/Campus Novo Paraíso, onde cursa Engenharia Agronômica. '

Rennery Guilherme na formatura com a família e com professor da mesa de honra

Rennery conta que sempre sonhou em entrar em uma universidade, mas que também carregava o medo de concluir o ensino médio sem conseguir aprovação. A rotina no campus exigia disciplina e dedicação em tempo integral, e um dos maiores desafios foi viver longe da família durante os três anos de curso, período em que permaneceu no alojamento estudantil. Houve momentos em que pensou em desistir, principalmente pela saudade de casa, mas encontrou apoio em professores, colegas e, principalmente, na mãe, que sempre acreditou na força transformadora da educação.

Criado por uma mãe que enfrentou dificuldades para sustentar ele e mais dois filhos sozinha, Rennery afirma que cada conquista é também uma forma de retribuir o esforço dela. Ver a emoção da mãe ao receber a notícia das aprovações foi, segundo ele, um dos momentos mais marcantes da sua trajetória. “Porque ver a felicidade da minha mãe, assim, não tem preço. Ela sempre lutou sozinha para criar a mim e meus irmãos enfrentando diversas dificuldades, mas nunca deixou de acreditar que a educação poderia transformar nossas vidas. E ver o orgulho e a emoção dela naquele momento foi algo que me tocou profundamente. Aquela conquista não era apenas minha, mas também dela. Na verdade, tudo que eu conquistei até aqui é uma forma de retribuir todo o esforço, amor e cuidado que ela teve ao longo da vida para nos criar”, desabafou.

A história de Maria Clara Viana de Alencar, de 17 anos, também reflete a determinação de quem decidiu persistir apesar das dificuldades. Formada no curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio e a primeira da família a entrar em uma universidade federal, ela conquistou a aprovação para ingressar em quatro cursos superiores e técnico: Medicina Veterinária, na Universidade Federal de Roraima (UFRR), pelo qual optou; Agronomia, no Campus Novo Paraíso do IFRR; Técnico em Enfermagem, no Campus Boa Vista do IFRR; e Zootecnia, na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais. '

Maria Clara em seus momentos de alegria - Fts Arquivo Pessoal

Nascida em Boa Vista e criada na região do Tepequém, no Município de Amajari, Maria Clara conta que, desde pequena, sempre ouviu falar do Instituto Federal como uma instituição de referência e decidiu que queria estudar ali. No entanto, a adaptação ao ensino integral e à rotina intensa não foi fácil. Logo na primeira semana no campus, longe de casa e da família, ela chegou a ligar para a mãe pedindo para sair da escola. Foi justamente a mãe quem a incentivou a permanecer e seguir em frente.

Com o passar do tempo, Maria Clara se adaptou à rotina de estudos, fez amizades e descobriu novos interesses profissionais. Durante as aulas práticas e as disciplinas do curso técnico, surgiu o interesse pela área de Medicina Veterinária, despertado especialmente pelas atividades ligadas à produção animal.

A estudante afirma que os auxílios estudantis e a possibilidade de morar no alojamento foram fundamentais para que pudesse permanecer no curso, já que a família não teria condições de custear moradia e alimentação fora do campus. “Foi muito importante eu receber esses auxílios para a minha permanência porque a minha família não teria condições de me sustentar, comprar ou alugar uma casa e ainda comprar comida. Seria muito gasto, e isso foi bastante importante para eu poder concluir o meu curso”, analisou a estudante.

Questionada sobre o que mais a marcou ao longo da caminhada no IFRR, Maria Clara explica que a experiência a fez compreender que o alcance de seus sonhos dependia principalmente de sua dedicação. “Eu entendi que precisava me empenhar de verdade para conquistar aquilo que eu queria. Foi assim que passei a reconhecer meus objetivos, perceber no que precisava melhorar e me dedicar ainda mais aos estudos. O primeiro grande resultado desse esforço foi a aprovação na universidade”, contou.

Assim como Rennery, o momento da aprovação foi vivido com emoção e orgulho familiar. Maria Clara lembra que a felicidade da mãe ao receber a notícia foi uma das maiores recompensas de todo o esforço dedicado aos estudos. “Eu consegui ver a felicidade, principalmente da minha mãe, que postou a notícia em todos os lugares onde era possível falar para todo mundo. Isso foi uma das melhores sensações”, lembrou a jovem, que destaca que a aprovação em uma universidade pública representa não apenas uma conquista pessoal, mas também o resultado do incentivo e da confiança da família ao longo de toda a sua trajetória.

Histórias como as de Rennery e Maria Clara revelam a realidade de muitos estudantes que enfrentam desafios para concluir o ensino médio técnico integral e alcançar o ensino superior. Entre saudade de casa, adaptação a uma rotina exigente e dúvidas sobre continuar ou não, o apoio da família — especialmente das mães — foi decisivo para que esses jovens seguissem estudando e transformassem sonhos em conquistas concretas.

Política de Assistência estudantil garante permanência e viabiliza acesso à educação

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Restaurante CAM - Ft Divulgacao (6)

Foto: Restaurante / Divulgação

Em 2025, o Campus Amajari atendeu 120 estudantes com alimentação; 95 residiam no alojamento e 68 contavam com transporte escolar para frequentar as aulas

No Campus Amajari do Instituto Federal de Roraima (CAM/IFRR), a política de assistência estudantil tem sido determinante para assegurar que jovens em situação de vulnerabilidade não apenas ingressem, mas também permaneçam e concluam os estudos. Em 2025, 120 estudantes foram atendidos com alimentação diária. Desses, 95 viviam no alojamento estudantil — com direito a café da manhã, almoço e jantar — e 68 tiveram acesso ao transporte escolar.

Segundo o coordenador de assistência estudantil do CAM, Francisco Moura, a política é essencial para garantir o funcionamento da própria oferta educacional no campus. “Ela é fundamental. Pela localização onde estamos, sem auxílio de alimentação, transporte ou alojamento, nós não teríamos alunos. Esses estudantes não conseguiriam acessar a educação de qualidade que o campus oferece”, afirmou.

A realidade local impõe desafios logísticos que tornam os auxílios estudantis uma estratégia indispensável. Segundo Moura, muitos estudantes vêm de comunidades, vilas e municípios onde não há cobertura de transporte escolar. “O alojamento possibilita que esses jovens tenham acesso à educação profissional. Em muitos casos, é a única forma de estarem aqui”, explicou.

A institucionalização da Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), por meio da Lei 14.914/2024, consolidou iniciativas que já vinham sendo adotadas nas instituições federais, ampliando seu alcance. A política tem como foco garantir a permanência dos estudantes, reduzir desigualdades sociais e regionais e melhorar o desempenho acadêmico, contribuindo para a redução da evasão escolar.

No Campus Amajari, os impactos vão além do ambiente escolar. “O impacto é gigante na vida desses estudantes e também dos familiares. Muitos deles são os primeiros da família a cursar o ensino médio técnico e a ter acesso a uma educação de qualidade. Isso amplia horizontes e mostra que eles podem transformar a própria realidade”, disse o coordenador.

A permanência, no entanto, nem sempre é linear. Moura relata que muitos estudantes enfrentam momentos de dúvida ao longo da trajetória. “Vários já pensaram em desistir. Às vezes, com uma conversa, um apoio, eles conseguem seguir. Depois, reconhecem o quanto isso fez diferença e se sentem preparados para qualquer desafio”, pontuou.

Entre essas histórias está a de uma estudante indígena venezuelana, que encontrou na assistência estudantil o suporte necessário para concluir sua formação. “Sem os auxílios, eu não teria conseguido terminar o curso técnico”, relatou Yorgelis Flores, de 19 anos, indígena taurepang venezuelana que vive no Brasil há sete anos. Moradora da Comunidade Indígena Tarau Paru, no Município de Pacaraima, ela é uma das formandas que conseguiram aprovação em universidade pública.

Ao garantir condições básicas como alimentação, moradia e transporte, a assistência estudantil cumpre um papel estratégico na democratização do acesso à educação pública. No Amajari, mais do que apoiar a rotina acadêmica, ela sustenta trajetórias e reafirma a educação como instrumento de transformação social.

Ensino técnico integrado e dedicação dos estudantes garantem aprovações em universidades

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Formação alia ensino médio e formação técnica em regime integral - Foto aérea do CAM - ASCOM IFRR

Mais de 50% dos estudantes concluintes de 2025 do Campus Amajari do Instituto Federal de Roraima (IFRR) conquistaram vagas no ensino superior, resultado que reforça a qualidade da formação ofertada pela instituição. Cerca de 30 alunos foram aprovados em vestibulares e seletivos de universidades públicas e privadas, muitos deles em mais de um curso, demonstrando o impacto da educação técnica integrada na preparação para a vida acadêmica.

Segundo o diretor de Ensino do Campus Amajari, Yuri Medeiros, o desempenho expressivo é resultado de uma formação que alia ensino médio e formação técnica em regime integral. Segundo ele, os cursos técnicos integrados em Agropecuária e em Aquicultura oferecem uma rotina intensa e diversificada, com aulas teóricas e práticas distribuídas entre salas, laboratórios e atividades de campo, como manejo de animais, plantio e cultivo. “Essa imersão completa no ambiente de aprendizado é uma das características da formação e contribui para consolidar o conhecimento dos estudantes”, disse.

Apesar dos bons resultados, o percurso exige dedicação dos estudantes. A carga horária integral e a dupla jornada de estudos, com avaliações tanto do ensino médio quanto da formação técnica, estão entre os principais desafios enfrentados durante o curso. Segundo Medeiros, especialmente no primeiro semestre, os estudantes precisam desenvolver habilidades de organização e gestão do tempo para lidar com o ritmo intenso da formação.

Acostumar-se a essa nova rotina de estudos é um dos desafios. Questionado se pensou em desistir, um dos aprovados em vários vestibulares, Rennery Guilherme Pinho, 18 anos, foi categórico. “Com toda certeza do mundo, a minha resposta é sim. Em alguns momentos, é óbvio que eu pensei em desistir, principalmente por causa da saudade da minha família e da dificuldade de adaptação no início. Mas o Campus Amajari possui um ambiente muito acolhedor. Professores, técnicos e servidores sempre foram muito receptivos e estavam sempre dispostos a ajudar os estudantes quando necessário. E, com o tempo, fui me adaptando e passei a me sentir em casa”, contou.

O diretor de Ensino da unidade esclarece ainda que a estrutura do campus e o modelo de ensino adotado são diferenciais importantes na formação dos estudantes. O Campus Amajari conta com laboratórios equipados, áreas destinadas ao cultivo e à criação animal e um corpo docente qualificado, formado por especialistas, mestres e doutores. A integração entre teoria e prática, aliada ao incentivo à participação em projetos de pesquisa e extensão, amplia as experiências de aprendizagem e fortalece a preparação para os desafios acadêmicos e profissionais.

Para Medeiros, a formação técnica integrada oferecida pela Rede Federal contribui diretamente para o ingresso no ensino superior. Ele explica que os estudantes desenvolvem uma base de conhecimento sólida, além de habilidades práticas e científicas adquiridas em laboratórios e projetos de pesquisa, ampliando suas chances de sucesso nos vestibulares e na vida universitária. “Esses elementos fazem com que os egressos cheguem mais preparados para enfrentar os desafios da graduação”, declarou.

Ascom/Reitoria

Rebeca Lopes

Fotos: Arquivo Pessoal, Ascom/IFRR e Divulgação

17/3/2026