A produção científica desenvolvida no Instituto Federal de Roraima (IFRR) ultrapassará as fronteiras nacionais e ganhará visibilidade em um dos mais importantes eventos internacionais da área de bioinformática. A professora doutora Karla Santana Morais, do Campus Boa Vista (CBV), participará como palestrante da 17ª Conferência ACM sobre Bioinformática, Biologia Computacional e Informática em Saúde (ACM-BCB 2026), que será realizada na Universidade da Calábria, em Rende, na Itália.
A apresentação ocorrerá no dia 30 de junho, durante o workshop Teoria da Informação em Biologia Computacional, Fisiologia e Saúde (Information Theory in Computational Biology, Physiology and Health – ITCBIO). Reconhecida internacionalmente, a ACM-BCB é uma das principais conferências do mundo na área de bioinformática e informática em saúde, reunindo pesquisadores, cientistas e especialistas responsáveis por discutir avanços que influenciam o desenvolvimento global de tecnologias digitais aplicadas à saúde.
De acordo com a programação oficial do evento, Karla Morais é a única representante de uma instituição brasileira a realizar apresentação oral no workshop. A pesquisadora dividirá espaço com especialistas vinculados a instituições de referência mundial, como as universidades Rutgers e Princeton, nos Estados Unidos, e o Politecnico di Torino, na Itália. '

Na conferência, a docente apresentará o trabalho que propõe a integração de informações etnobotânicas, fitoquímicas e estruturais para a priorização virtual de compostos bioativos de plantas medicinais de Roraima. O estudo desenvolveu um fluxo computacional automatizado que combina recursos de inteligência artificial e técnicas de ancoragem molecular para relacionar conhecimentos tradicionais indígenas da Amazônia sobre plantas medicinais a evidências fitoquímicas e dados estruturais de proteínas.
A pesquisa avaliou, de forma teórica, o potencial de compostos extraídos de três espécies vegetais encontradas na Região Amazônica contra alvos moleculares associados a doenças negligenciadas de grande impacto social. Foram analisadas as espécies Aspidosperma excelsum, relacionada a estudos sobre malária; Himatanthus articulatus, associada a pesquisas sobre tuberculose; e Anacardium occidentale (cajueiro), investigada em relação à leishmaniose.
Os resultados demonstraram que os modelos computacionais empregados foram capazes de identificar sinais moleculares promissores mesmo em cenários de elevada incerteza, contribuindo para otimizar o processo de seleção de potenciais compostos terapêuticos antes da realização de experimentos em laboratórios físicos.
O trabalho conta ainda com a coautoria dos pesquisadores Rhilary Herielle Gomes Pereira, Kalil Anthony Carvalho Davi, Fabiano Siqueira de Almeida e Iane Santana Morais.
INOVAÇÃO E SAÚDE DIGITAL
A participação da professora no evento internacional e o desenvolvimento da pesquisa são financiados pelo projeto de Especialização em Transformação Digital na Saúde: Estratégias e Inovação para a Saúde 4.0, coordenado pela própria docente. A iniciativa, avaliada em aproximadamente R$ 1,8 milhão, é viabilizada com recursos da Lei de Informática.
Karla destaca que o reconhecimento internacional evidencia o potencial científico produzido na Amazônia e reforça a importância da valorização dos conhecimentos tradicionais aliados às tecnologias emergentes. “Participar de um evento dessa magnitude representa não só uma oportunidade de fortalecer a presença da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica nos principais espaços de produção e difusão do conhecimento científico internacional, mas também de mostrar ao mundo que a ciência produzida em Roraima tem qualidade, relevância e potencial para contribuir para os desafios globais da saúde. Nosso trabalho demonstra como o conhecimento tradicional amazônico pode dialogar com ferramentas avançadas de inteligência artificial e bioinformática para acelerar a descoberta de novas alternativas terapêuticas”, disse.
A realização do projeto conta com o apoio da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), do Programa Prioritário de Indústria 4.0 (PPI J4.0), coordenado pelo Centro Internacional de Tecnologia de Software (CITS Amazonas), além do suporte institucional do IFRR, que disponibiliza a estrutura acadêmica necessária para o desenvolvimento das pesquisas.
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Ascom/Reitoria
Colaboração: Karla Santana
Fotos: Arquivo Pessoal
24/6/2026